Minha empresa tem dados, mas não sei o que fazer com eles
Se a sua empresa tem dados e você não sabe o que fazer com eles, comece por uma decisão que precisa tomar nos próximos meses. Transforme essa decisão numa pergunta que os números conseguem responder, descubra quais dados respondem a ela e junte só esses. Organizar todos os dados primeiro, para depois ver o que eles dizem, costuma terminar em relatórios que ninguém usa.
Quase toda empresa já tem mais informação do que imagina: notas fiscais no ERP, negociações no CRM, planilhas de metas, histórico de pedidos. O que falta, na maioria dos casos, é ligar esses registros a uma decisão concreta.
Sinais de que os dados não estão virando decisão
Vale olhar para a rotina da empresa e ver quantos destes pontos aparecem:
- Relatórios chegam todo mês, e nada muda depois que alguém lê.
- O comercial e o financeiro têm números diferentes para o mesmo faturamento.
- Uma pergunta simples, como “quanto vendemos para clientes novos neste semestre?”, leva dias para ser respondida.
- Metas, descontos e prioridades de visita são definidos pela experiência de quem está há mais tempo na empresa.
- Existe um painel cheio de gráficos, mas nenhuma decisão ligada a ele.
Se três ou mais soam familiares, a empresa provavelmente já tem dados suficientes. O que falta é ligá-los às decisões.
Por que isso acontece
Os sistemas foram feitos para registrar
O ERP existe para emitir nota, controlar estoque e fechar o caixa. O CRM existe para acompanhar negociações. Nenhum dos dois foi montado para responder por que um cliente comprou menos ou qual região está perdendo espaço. A informação está lá, mas guardada do jeito que serve à operação.
Ninguém definiu a pergunta
Sem uma pergunta, qualquer análise vira uma lista de números. É por isso que tantos relatórios mostram faturamento por mês, por vendedor e por produto, e mesmo assim não ajudam a decidir nada: eles descrevem, mas não comparam nada com uma expectativa.
Os sistemas não conversam
É comum o mesmo cliente ter um código no ERP, outro nome no CRM e um terceiro jeito de aparecer na planilha do vendedor. Cruzar essas fontes à mão toma tanto tempo que a análise fica para depois.
Indicadores demais
Quando a empresa acompanha tudo, fica difícil saber o que priorizar. Um painel com trinta indicadores obriga quem lê a descobrir sozinho o que importa, e quase ninguém tem tempo para isso.
Um roteiro para começar
Transformar dados em decisão é o trabalho do MKS Intelligence, o projeto da MKS que conecta os dados da empresa, a análise e o plano de ação. Mas dá para dar os primeiros passos por conta própria.
1. Liste as decisões dos próximos meses
Anote as decisões que a empresa precisa tomar nos próximos três a seis meses. Por exemplo: em quais clientes a equipe comercial deve concentrar as visitas, qual linha de produto merece mais esforço, qual meta faz sentido para o próximo trimestre, onde vale rever preço.
2. Escolha uma e transforme em pergunta
Pegue a decisão mais urgente e escreva a pergunta que ajudaria a tomá-la. “Onde concentrar as visitas?” vira “quais clientes compravam com regularidade e reduziram as compras nos últimos seis meses?”. Uma boa pergunta cita um período, um grupo e uma comparação. “Como estão as vendas?” é ampla demais para qualquer planilha. “Quais regiões venderam menos da linha C neste semestre do que no anterior?” dá para responder numa tarde.
3. Descubra quais dados respondem
Para cada pergunta, veja quais dados você precisa e onde eles costumam estar:
| Pergunta | Dados necessários | Onde costumam estar |
|---|---|---|
| Quais clientes estão comprando menos? | Pedidos por cliente, com data e valor | ERP |
| Qual linha de produto cresce e qual cai? | Vendas por produto e por mês | ERP |
| Onde as negociações travam? | Etapa e motivo de perda de cada proposta | CRM |
| Quais vendedores atendem quais regiões? | Carteira por vendedor | CRM ou planilha comercial |
Se o dado não existe, a própria pergunta já mostra o que vale começar a registrar.
4. Junte o mínimo necessário
Monte uma planilha só com as colunas que a pergunta pede, de preferência com 12 a 24 meses de histórico. Não precisa integrar sistemas nem limpar a base inteira. Resolva as duplicidades que atrapalham essa pergunta e siga.
5. Compare, em vez de só somar
Um número sozinho diz pouco. O que mostra alguma coisa é a comparação: este semestre com o anterior, uma região com outra, um cliente com clientes parecidos com ele.
Um exemplo hipotético, só para ilustrar o raciocínio. Uma empresa quer saber onde está perdendo vendas e compara o faturamento por região e por linha de produto, primeiro semestre contra o segundo semestre do ano anterior:
| Região | Linha A | Linha B | Linha C |
|---|---|---|---|
| Sul | +4% | +2% | −18% |
| Sudeste | +6% | −1% | +3% |
| Centro-Oeste | +1% | +5% | +2% |
O total da empresa pode até estar estável, mas a comparação aponta um lugar específico: a linha C no Sul. A pergunta seguinte fica bem mais fácil de investigar. Mudou o vendedor da região? Entrou um concorrente? Houve falta de produto?
6. Termine com uma ação e uma data
Toda análise deve acabar numa ação com responsável e numa data para conferir o efeito. No exemplo, a ação pode ser uma conversa com os principais clientes da linha C no Sul, com uma nova leitura dos números em 60 dias. Sem essa data, ninguém confere se a ação funcionou.
O que não fazer primeiro
- Comprar uma ferramenta de BI antes de saber a pergunta. Sem ela, o painel mostra números que ninguém sabe como usar.
- Tentar organizar todos os dados da empresa de uma vez. O projeto cresce, demora e costuma ser abandonado antes de ajudar em alguma decisão.
- Montar um painel com dezenas de indicadores. Comece com os poucos números ligados à decisão escolhida.
Perguntas frequentes
Preciso de um sistema de BI para começar?
Não. Uma planilha bem montada responde à maioria das primeiras perguntas. A ferramenta faz sentido depois, quando você já sabe quais números acompanhar e com que frequência.
Meus dados estão bagunçados. Dá para começar assim mesmo?
Dá. Em vez de arrumar a base inteira, arrume só o que a primeira pergunta precisa. Esse recorte costuma mostrar quais problemas de cadastro realmente atrapalham e quais podem esperar.
Quem na empresa deve fazer essa análise?
De preferência, duas pessoas juntas: quem vai tomar a decisão e quem tem facilidade com planilha. Quem decide garante que a pergunta é a certa e que a resposta vai ser usada. Quem monta a planilha garante que os números batem. Quando a análise fica só com uma das duas, ela costuma sair tecnicamente certa e sem uso, ou útil e com números errados.
Quantos indicadores devo acompanhar?
Poucos, e cada um ligado a uma decisão. Se ninguém sabe dizer o que faria de diferente caso um indicador subisse ou caísse, ele provavelmente não precisa estar no painel.
Quando vale pedir ajuda
Se os dados estão espalhados entre ERP, CRM e planilhas e falta uma visão geral de onde estão as oportunidades, o MKS Intelligence faz esse trabalho com você: parte do problema do negócio, conecta os dados que a empresa já tem e termina num plano de ação. Se a dúvida é uma pergunta só, como por que as vendas caíram numa linha ou num cliente, o MKS Diagnose resolve de forma mais rápida. Um exemplo de pergunta desse tipo está em como identificar clientes inativos.
O primeiro passo é uma leitura inicial gratuita: uma conversa para entender o seu caso e, em até 5 dias úteis, um resumo com os pontos de atenção e o plano indicado. Veja também a metodologia MKS.